
Nos últimos meses venho pensando bastante sobre autenticidade.
Sobre resgatar a Maryah de 7 anos que era ela e ponto final. E entendi que, antes de encontrar ela, precisei me perguntar: por que eu buscava tanto essa criança em mim?
Acho que todo mundo já ouviu na terapia sobre “resgatar” sua criança interior. Mas, falando a real mesmo, como que faz isso? E, principalmente, por que essa necessidade repentina de encontrar essa garota?
Já parou pra pensar o quão patético é pedir pra uma inteligência artificial “agir como…” um dentista, um especialista de marketing, um especialista em redes sociais? Ou pior, tentar educar ela o suficiente pra ser você.
Você sabe quem você é?
Assumir um papel que tem tantas camadas… para chegar em conteúdos que toquem os outros. Spoiler: o que faz tocar está em uma camada que nenhuma IA acessa. E nós, humanos, passamos a vida tentando acessar e entender.
Entendo 100% a utilidade da rede social como uma ferramenta incrível de expor, trocar e alcançar um grande número de pessoas, que talvez seja difícil colocar em uma sala pra te ouvir. E também adoro buscar inspirações de produtores de conteúdo que amo e consumo.
E, voltando na ideia de buscar autenticidade, entendi que os criadores que mais admirava viviam dessa forma tão autêntica. E comecei essa busca maluca de como ser autêntica. Mais “eu”. E claro que essa busca foi online.
Foi onde comecei a perceber que essa pessoa que eu buscava estava no offline.
No jeito que eu agia com meus amigos, no meu trabalho, com meus pacientes. E que, na verdade, eu falava muito em minhas aulas sobre buscarmos sermos nós mesmos, com estratégia, para que seja tão verdadeiro que vamos atrair pessoas e pacientes que tenham esse mesmo perfil.
E eu mesma não estava vivendo isso.
Buscava roupas que “faziam sentido” e “davam certo”. Buscava conteúdos que “viralizavam”. Até que comecei a entender que ser dentista era (ou deveria ser) uma das várias Maryahs que tenho por aqui. E me vi presa dentro só dessa camada única, que não deveria me definir, mas sim me complementar.

Tenho um professor que fala que alguém com experiência, na verdade, é uma palavra bonita para expressar alguém que já falhou muito. Experiência fala sobre tentar, seja qual for o resultado. Pra não viver uma vida de “e se…”.
Experiências essas que vivemos no offline. Nas viagens, nos encontros, nas aulas, nas palestras, no olhar, na troca, nos cursos… Experiências que, uma por uma, nos ensinam e vão somando um pouco em cada camada. No meu caso, na Maryah filha, dentista, amiga…
Então, por que não viver o maior número de experiências que podemos e descobrir quantas camadas encontramos nesse infinito ser “eu”?
Parece tudo muito filosófico, mas, na verdade, se resume a: a vida acontece longe do “aesthetic”. Ela acontece nos altos e baixos, nas falhas, nas experiências. No offline.
Nas viagens, nos cursos, nos congressos e palestras. Nas pessoas que conhecemos, nas conversas que temos e nos lugares que conhecemos.
E, se você quiser, compartilhe todas essas experiências. Pra isso, afinal, que existe rede social. Seja ela qual for.
Tenho certeza de que não falei nenhuma novidade aqui, mas, muitas vezes, pra mim, é necessário lembrar de algumas dessas lições.
